Dando pitacos!

Porque todo mundo tem algo a dizer sobre tudo. Só não somos convidados sempre...
E a estrela Intrometida existe mesmo!
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segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

O que ficou do Oscar (texto postado originalmente no meu Facebook)

Gente, esclarecimento meu: EU SEI que premiações como Oscars e outros NÃO são pra serem levados a sério no sentido da MERITOCRACIA (o mesmo vale para a competição que envolve os desfiles das Escolas de Samba do Rio). Sempre haverá algum filme injustiçado, algum ator MUITO melhor que muito indicado e que ficou de fora da lista final, etc, etc, etc. O que é absolutamente normal, filme tem que ser bom sempre, independente de se esperar um reconhecimento por isso ou não.

O que me motiva a ver e acompanhar essas coisas é que isso funciona, pra mim, como um termômetro cultural e social daquele ano ou daquela época. (Ok, amo um tapete vermelho também, mas essa não é a questão) É um dos motivos pra acompanhar desfiles de Escolas de Samba também, e por aí vai. Sei também que o que vai pro Oscar é SÓ UMA PEQUENA PARTE do que é produzido no MUNDO. Existem milhões de festivais por aí com muito mais coisas, gostaria e ir em todos, mas tenho sérias restrições de tempo e orçamentárias. Quem me acompanha por aqui e/ou tem a ""felicidade"" de receber alguns e-mails meus, sabe que volta e meia eu chamo atenção pra algum festival bacana (e/ou estranho) possível, ou, quando é realmente impossível pra mim, indico pra aqueles que tem a possibilidade de ir. E já teve muita gente que já me chamou pra muita coisa tipo "festa estranha com gente esquisita" dos festivais de cinema, e eu fui.

Agora, reconheço o domínio dos EUA em matéria de INDÚSTRIA cinematográfica, de comércio, o business. Já li Walter Benjamin demais, Adorno, Horkheimer, Deleuze, Bergson e comentadores. E VÁRIAS VEZES me deparei com referências ou críticas ao cinema americano. O sol nasce e vai embora, o cinema americano ainda está lá. Tenho livros e livros sobre história do cinema, curto mesmo esse assunto, porque eu acredito firmemente que é esse cinema gringo que dita a nossa forma de contar histórias por aqui (e por consequência, o padrão estético das produções e por aí vai). O mesmo anda valendo pra TV (alguém se lembra de "Avenida Brasil" e sua estrutura e ritmo que lembrou as séries americanas? Então, olha o sucesso que foi.) Isso não significa que eu goste...

Ao mesmo tempo, tenho DURAS observações sobre o mercado de cinema comercial brasileiro, que tá mais perdido que cego em tiroteio, se vendendo às organizações Globo (sempre ela...) em nome de produção de ponta e distribuição. E se tornando a continuação da TV (não me conformo com filmes que mal saem do cinema e já viram "mini-séries" [eles não foram feitos pra isso, PORRA!]). E com aquele velho conhecido "fator Globo" de temática e qualidade. Por outro lado (mesmo), tenho muita simpatia pelo cinema argentino, que tem o seu próprio ritmo e linguagem diferenciada. Os filmes que vi são deliciosos, e gostaria de ver mais.

Ainda assim, o cinema americano ainda está lá, ditando o "padrão-mór" das produções (acho que "Tropa de Elite" não sairia muito da linha que foi se fosse dirigido por um gringo), dominando a "Sessão da Tarde", "Tela Quente", "Cine Espetacular" e o canal "Telecine Premium". E quando tem Oscar, tem dezenas de PAÍSES assistindo. O alcance disso deve ser fenomenal.

Por isso é sempre bom quando vejo "algo de podre no reino da Dinamarca". Quando vejo que o que é pintado colorido nos filmes, ganha um tom mais cru na realidade. Quando vejo que um prêmio de consolação bobo - porque, no caso de "Selma" foi isso mesmo, um prêmio de consolação - gera um discurso poderoso que vira mote pra esse artigo no Washington Post​. Que se discute nessa premiação a falta de negros em categorias de destaque (como bem disse Neil Patrick Harris​, "tonight we honour Hollywood's best and whitest, I mean, brightest,"). Que coloca na mesa a questão do suicídio. Que coloca a questão da mulher. Que coloca na competição um filme horroroso como "American Sniper" (sim, eu vi) e o deixa sem reconhecimento (graças aos Deuses!). E isso é transmitido pro mundo inteiro, reproduzido, copiado, zoado. É isso que me interessa, de verdade. Que bom que, dentro da história dos Estados Unidos, um filme que discute sobre o negro não deixa a discussão sobre a violência contra o negro morrer (lembrando que as histórias dos assassinatos realizados por policiais em bairros pobres e contra crianças negras eclodiu ano passado! E a questão ainda continua em pauta!).

É possível que, talvez, eu estaria dando "muita importância" pra essa indústria. É possível. 

De qualquer forma, isso está me possibilitando uma gama de discussões, de todos os tipos. 

É isso. Claquete.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Do Oscar: "O Jogo da Imitação" (e esse é um filme de amor)

Filme que poderia dar a Benedict Cumberbatch o Oscar (tenho quase certeza de que não vai, explicarei melhor ao fim do texto, mas tá todo mundo preferindo o água-com-açúcar “A Teoria de Tudo” e o canastrão Eddie Redmayne) é mediano em relação ao que (aparentemente) se propôs: mostrar em como o gênio da matemática, Alan Turing, mudou o cenário da 2ª guerra mundial. Ok, é difícil inserir uma aula sobre criptografia em um filme com aparente foco na guerra, fica tudo muito raso no fim das contas. Um dos benefícios de se estudar História é aprender o passado e fazer o link com o presente, pra evitar antigos erros e talvez mudar as coisas. Acho muito difícil que o espectador médio, que assistiu “O Jogo...” vá fazer essa conexão e pensar que hoje em dia a questão das mensagens criptografadas ganhou uma importância e uma dimensão muito maior do que Turing poderia imaginar – é só dar uma olhada nos noticiários pra perceber o espaço que a troca de mensagens e a disseminação de informação ganhou nos últimos conflitos mundiais, graças à internet. Hoje estamos tentando discutir “segurança” na internet, e em vários momentos eu pensei sobre isso, e no quanto de informação importante (não tô falando em coisas bobas, tipo o meu relato de final de semana no Facebook, por exemplo) passa por mim de forma invisível. Tudo isso graças a muitos mecanismos, um deles a criptografia. O filme até tenta ser didático, fazendo uma analogia com aquela prática que a gente tem quando criança, de codificar nossas mensagens (e depois nos esquecemos dos códigos que nós mesmos criamos, hilário!), ao mostrar o jovem Alan com seu amigo Christopher.

Mas, então, eu disse que o filme é um pouco raso nesse sentido, né? É porque tem outro grande tema envolvido: a sexualidade de Turing, em um período onde ser gay era o equivalente a ser criminoso aos olhos da lei e da sociedade. (Hoje é só aos olhos da sociedade: apesar do discurso querer mostrar o contrário, a prática ainda é punir socialmente os gays, lésbicas, trans e bisexuais. Infelizmente estamos muito longe de uma sociedade que respeita DE VERDADE o próximo...)

Esses dois grandes (grandes!) temas se confundem e, no fim das contas, um acaba prevalecendo sobre o outro.

Saí da sessão firme: o filme não era bem sobre a guerra, mas sobre um homem e sua afirmação enquanto gay perante a sociedade. Era uma história de amor, entre Turing e Christopher (ainda que representado por uma máquina). Ponto.

Turing era um matemático brilhante. Em nenhum momento isso ele se sente menos inteligente. Nunca duvidou de sua própria teoria, embora tenha passado por dificuldades, apenas a ajustou. O que ele fez dentro do exército ele poderia ter feito em escala menor dentro da Universidade. As diferenças eram a falta de motivação (que veio com a guerra), e a grana, claro. Mas eu, enquanto espectadora, não tinha dúvidas de que isso não era bem uma questão para Turing, mas sim um desdobramento natural dentro de sua carreira como matemático.

A sua grande luta foi contra o preconceito.

O filme é bem sutil ao mostrar momentos da infância de Turing e a sua relação com Christopher. As trocas de bilhetes, influências (ainda bem que Christopher era um menino superinteligente! Sabe quando você está com alguém e esse alguém só te puxa pra cima? Te estimula a pensar, a ler... Foi essa sensação que tive...), o companheirismo (quando ele salva Alan de uma situação horrorosa – prefiro nem descrever, porque rola uma claustrofobia só em pensar...). A cena em que o diretor da escola avisa que Christopher morreu é de cortar o coração. E é o primeiro contato forte, institucional, de Alan com a homofobia. Ele se segura firme pra não demonstrar nada – é a sua primeira lição de sobrevivência em um mundo preconceituoso.

Assim como na sua relação com a matemática, Turing também não demonstra qualquer dúvida ou algum arrependimento por ser gay. Nenhuma. E esse é um ponto a favor pro filme. Sempre que vejo filmes sobre/ com temática gay, é pelo viés “saída do armário” (não estou falando de filmes mais contemporâneos ou super independentes, tô falando do mainstream mesmo): todo o sofrimento em se aceitar ou não, o primeiro amor não correspondido, a tentativa de ser hetero... Esse, não. Alan Turing se aceita como ele é. Gosta de homem, e ponto (embora entenda que exercer isso é difícil na sociedade em que vive). Tem isso bem claro na sua mente, não manda o caô de que vive lutando contra seus demônios internos, não fica fazendo cara de nojinho... A única vez que ele se submete ao contrário, é por conta da punição por seu “crime”: precisa ficar ingerindo substâncias que, supostamente, vão inibir seu desejo por outros homens. Até ele sabe que isso é palhaçada. Mas era melhor que viver na prisão, longe de Christopher, agora personalizado em uma máquina. Quando ele pede Joan Clarke em casamento, é muito claro pra mim (e acredito que seja pra todo ser vivo pensante que viu o filme) que ele faz isso em nome do projeto de criação da máquina. Ela é uma pessoa bacana, inteligente, mas... não rola. E ele nem tenta! No filme todo ele não dá um beijo nela! E quando eles “terminam”, ele é bem claro: “Filha, eu gosto de homens...” Ela diz algo tipo: “Tá, eu meio que já sabia, mas a gente vive um casamento de aparências, então”. Ele: “Filha, eu não vou deixar de pegar os homens, aí você vai acabar se ferrando...” (diálogo inventado, mas o sentido é mais ou menos esse.) Alan Turing já tá fora do armário (pra si) há muito tempo! Ok, ele não andava enrolado na bandeira arco-íris, mas... ele não se negava enquanto gay. Simples assim.

Essa é a beleza do filme. Esse É O FILME, pra mim. A Grande Guerra é só um pretexto pra nos mostrar a sua guerra diária, que é ser alguém que vai na contramão do que a sociedade dita.

E quando ele está nas últimas (falando nisso, essas sequências são super teatrais...), quem ele quer ter ao lado? Christopher (a máquina). Seu amor, sua homenagem àquele que fora arrancado da sua vida.

Nada me tira da cabeça de que “O Jogo da Imitação” é um filme de amor.

E o que eu posso falar de Cumberbatch? Um fofo. Mas ele precisa parar de fazer “Sherlock”. Sério. Me corta o coração dizer isso, mas não aguento mais. Tinha cenas que não era o Alan Turing falando, mas era o Sherlock Holmes. E a culpa nem era bem da interpretação do Cumberbatch, não... o cara se deu o trabalho de mudar o seu tom de voz, sua postura, o ritmo... Era a construção do texto mesmo. Me diz se não é “muito Sherlock” a sequência que mostra como que Turing conseguiu a autorização e o dinheiro pra construir a máquina? Sherlock Holmes total! O início do filme, então... a primeira impressão que tive de Turing foi de que ele era tão obsessivo quanto Sherlock. A medida que o tempo passa, os dois personagens vão se distanciando – até porque Turing é super gay, e Sherlock é super... Sherlock, rs. Enfim. Gosto muito da série da BBC, mas ele não pode se resumir ao Sherlock.

Só que não é por isso que acho que ele não vai ganhar o Oscar, não. (porque tem um monte de gente que faz sempre o mesmo papel e ganha um monte de coisa)

Eu acho que ele não deve ganhar porque o personagem que ele interpreta é muito, muito, gay. E a Academia não gosta de gays.

Ah, mas como assim? O Jared Leto ganhou no ano passado por uma personagem trans...
  1. era uma personagem coadjuvante.
  2. o filme discutia sobre a AIDS e a indústria de remédios.
  3. o filme não discutia, em primeiro plano, sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo. E sim sobre um problema que passou a afetar héteros também.

Sabe qual filme discutia sobre o amor entre pessoas do mesmo sexo? “O Segredo de Brokeback Mountain” (2005). Seus dois atores, Heath Ledger e Jake Gyllenhaal, foram indicados no Oscar 2006. Não tenho nem ideia de como imaginar o processo de criação que resultou em dois atores héteros fazendo cenas de amor tão fortes. Mas eles foram valentes, seguraram a onda, mostraram ao que vieram. Foi o filme da vida deles. Desse ponto em diante, eles foram considerados Atores. Mas a Academia cagou pra isso.

Tudo bem, é mais que obrigação o ator fazer muito bem o seu papel. E no fim das contas, o que fica pra posteridade é o impacto que aquilo tem no público, e não necessariamente os prêmios que aquele filme ganha. Por isso, Heath Ledger, por exemplo, será lembrado pra sempre por seu Ennie Del Mar e, posteriormente, pela excelente construção de seu Coringa (ironicamente Jared Leto herdou esse papel...).

O que eu quero provar é que existe uma questão política muito forte nisso. Ok, Hollywood é cheeeeeia de gays nos bastidores, atores são gays, diretores são gays (não sei citar nenhum, mas deve ter), mas... temos um problema de representatividade frente às telas. Assim como personagens/ intérpretes negros ganhando o prêmio é uma coisa rara de se ver (esse ano não há nenhum grande indicado negro), ver um gay assumido levando o caneco é igualmente raro. E ver um personagem histórico gay (interpretado por um hétero) ganhando o reconhecimento mundial... é muito difícil. Lembra quando disse lá no início do texto que existem as leis sociais? Então. Acho que será por causa disso que não vai ser dessa vez pro Cumberbatch. Se for, eu vou ficar muito surpresa. Muito MESMO. Mas eu duvido, uma vez que tá saindo um monte de prêmios pro insosso e igualmente playboy Eddie Redmayne e pro Michael Keaton.

E pra fechar esse texto, ainda na questão da representatividade, lembro do final do filme e suas letrinhas que contam “o fim da história”: lá pelas tantas, o filme informa, todo orgulhoso, que Alan Turing recebeu o perdão da Rainha Elizabeth II em 2013.

Lembra que eu falei das “leis sociais”?

Pra alguém receber o perdão de algo, precisa ter feito algo de errado.


Qual foi o erro de Turing mesmo?

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Do Oscar: "Sniper Americano"

Primeiro eu preciso contar o que me motivou a assistir “American Sniper”: tempo livre.

É isso, eu não tinha muita coisa pra fazer, estava esperando alguém no shopping, ou algo do tipo, e tentei assistir “50 tons de cinza”, mas era o dia da estreia e as sessões estavam lotadas, então eu não pensei duas vezes, comprei o ingresso.

É CLARO que me arrependi. E não é pelos motivos óbvios.

“American Sniper” é o tipo de filme que não tem história.
Como assim, não tem história!?
É assim, ó: pega um cara que poderia ter uma história interessante, que poderia puxar discussões incríveis, e decida não desenvolver nenhum desses itens para no fim discutir sobre absolutamente nada e, no fim das contas, massagear o ego de toda uma nação. Isso é o “American Sniper”.

Gente, não vai ter como comentar sem spoiler. Porque não tem história (no sentido de dramaturgia, não de biografia) pra ser contada.

O filme começa remetendo ao passado do Chris Kyle - o tal sniper que contabilizou 160 mortes em guerra em um período de 10 anos. Aí é aquela infância clássica do Texas, né. Igreja, caçada, amém. Aí eu pensei “ah, o pai dele batia nele”. Cara, não era bem assim. O cara teve uma vida até que normal. O pai ficou no pé dos filhos (ele tinha um irmão) inserindo ideias do tipo Nietzsche, “sejam aves de rapinaaaa!” (não foi essa analogia que foi apresentada no filme, mas a ideia é essa, não ser os caras que fazem a merda [que são covardes], nem ser os caras que sofrem a merda [que são cagões – ou quase isso], mas ser o terceiro elemento, aquele que decide, que resolve, o elemento forte). Enfim, não justificou muito, pelo menos pra mim, o fato de ser um sniper. Na verdade, só mostra o encadeamento lógico: ele atirava muito bem, aprendeu com o pai durante a infância, então foi fácil pra ele se tornar sniper (mais pra frente ficamos sabendo que ele entrou um pouquinho velho pra SEAL, 30 anos, então não havia muitas coisas pra ele fazer, ele só poderia se destacar nisso mesmo).

Aí, ok. Chega na fase adulta do Kyle. Ele vivia de rodeio em rodeio, com o irmão, tentando uma carreira. Esse é o segundo momento do filme que eu fiquei pensando que algo iria acontecer, mas, nada de novo: os consulados dos EUA sofrem atentados, Kyle vira pra TV e sente que “precisa defender o país”. Assim, sem mais nem menos, sem qualquer discussão. De uma hora pra outra, ele resolve se alistar. Acabou essa parte.

Chega na fase de alistamento e treinamento do Kyle. Eu fiquei esperando aquelas cenas tipo “Tropa de Elite”: “Pede pra sair!!!!”. Até tem, mas nada que supere o treinamento de Capitão Nascimento. Eu jurava que seria o início de uma propaganda dos SEALS, mas ninguém é maltratado, rola um “bullying” em um gordinho (que depois, claro, perde peso), mas... nada de novo. Só cenas do tipo “ele sofreu no treinamento, mas teve determinação e foi até o fim” - é quando ficamos sabendo da idade dele quando ingressou no exército. E pronto, nenhum drama.

Aí ele conhece a futura esposa. E eles se apaixonam. E se casam. E é isso.

Nesse meio tempo, rola o 11 de setembro. Aí ele vai pra guerra.
E mata pela 1ª vez. E é uma criança. E, não. Ele não se arrepende de nada. Não sofre, não tem crise ética, nada; e ele salva o dia várias vezes. Algumas ele não consegue, mas... como não tem nenhum vilão personificado – perdão, até tem uns “eleitos”, que são eliminados pelo caminho... enfim, nada que vingue. Kyle está cada vez mais convicto no seu papel, de fazer a proteção dos Estados Unidos (guerra que nunca chegou ao território americano). Kyle não recusa o seu apelido, “Lenda”, ao mesmo tempo, representa o pensamento do que eu acredito que seja o norte-americano médio: “eles estão nos atacando”, “nós precisamos nos defender”. Sem muita crítica, classifica o seu inimigo como “selvagens” (nessa hora, tocou na minha cabeça a musiquinha do filme “Pocahontas”, que dizia: “São bárbaros! Bárbaros!”), e não há ninguém pra lhe dizer o contrário, ou discutir sobre essa questão.

Em alguns momentos ele volta pra casa. Fica tendo aquelas coisas esquisitas que todo mundo que volta da guerra tem. Aí eu penso: “ah, tá, então o filme vai focar naquela luta da volta pra realidade...”, e não, de novo. Não acontece nada.

Aí ele volta pra guerra. A esposa fica nervosa. Reclama que ele tá perdendo o crescimento dos filhos. Ameaça se separar, e... nada. Ele volta, amoroso, se esforça.

Nessa altura do campeonato, eu já tinha desistido de encontrar uma trama. Não há uma história a ser contada, e sim feitos. O filme todo é uma homenagem aos feitos de Kyle. Ele nunca é mostrado como alguém desprezível (pelo menos, não para os americanos), ou questionador. Sua participação na guerra termina, e ele literalmente não se arrepende de nada (diz que vai prestar contas a Deus, apenas). Aí, como terapia (ocupacional?), ele passa a acompanhar veteranos de guerra. E estaria vivendo bem assim, até hoje, se não fosse morto em 2013 por um veterano (que também não sabemos as motivações para o tal ato, e o filme não se atreve a propor nenhuma interpretação disso também). O filme também não cita o momento em que Kyle resolve contar sua história em livro.

O filme dá ao espectador (provavelmente o norte-americano) o herói que tantos procuram; aquele que estava sempre pronto a servir e proteger; o mártir. Em relação a esse último aspecto, mesmo com Kyle tendo morrido fora de combate, o filme é claro em mostrar que ele era adorado (usa fotos e imagens reais do velório, e são impressionantes), e com o fato do militar não se arrepender de nenhuma das mortes contabilizadas (pois estava defendendo seu país, e isso, pelo visto, está acima de qualquer ideia de humanidade). Logo, o filme dá aos nacionalistas o que eles querem.

Brilhante estava a caracterização do Bradley Cooper. Ganhou massa legal, caprichou no sotaque. Ok, fiquei puta por ele ser um dos produtores, o que só me leva a crer que ele será um George Clooney às avessas – se um é humanista, ele é... sei lá, carniceiro.

Rendida (e puta da vida), aguardo os créditos finais. E aí vem a maior cretinice que já foi realizada comigo em uma sessão de cinema: após as fotografias finais (foi um show de power point muito sóbrio, bonito, você tem que ver), a música acaba. E sobem os créditos. Em silêncio. Ora, você está vidrado no filme (não significa que está gostando, mas está prestando atenção [vi esse filme uma vez, antes do carnaval, e fui capaz de descrevê-lo aqui, então eu realmente estava prestação atenção no que estava vendo]), a sala toda em silêncio, a cena final foi lamentando a morte do cara, e...

… cara, eu prestei tributo a esse cara, sem eu querer.

Tipo, “1 minuto de silêncio”, sabe?

Quando eu percebi que A SALA TODA ESTAVA EM SILÊNCIO, peguei meu celular, desesperadamente, pra tentar ligar pra alguém, fazer algum barulho, pra quebrar aquele clima maldito. Na verdade, o filme é muito cru em relação a música. Também, faz sentido: como não tem aquela montanha russa de emoções que a dramaturgia faz, resultando numa parada muito maior (como diria Aristóteles... cadê a catarse???), então não tem muita música não.

Tem tiro. Muito tiro.

Enfim, voltando ao meu problema de fim de filme: achei aquilo super cretino. Imaginei uma sala IMAX nos EUA com aqueles caras que concordam com tudo aquilo que Kyle defendia, e eles estariam chorando de emoção.

Não. Não, não, não.

Esse foi o meu maior problema com esse filme. Essa manipulação.
Até perdi a vontade de fechar melhor esse texto, lembrando do que eu senti ao final desse filme.


Taí. Esse é o grande mérito de “American Sniper”: me levar, sem eu querer mesmo, ao tributo a um dos maiores assassinos da história recente da humanidade.

quarta-feira, 5 de março de 2014

Oscar!

Não faz nem uma semana que toda a agitação que foi programada por um ano aconteceu...
Vou começar pelo Oscar, que rolou no último domingo, dia 02 de março, no meio de nosso carnaval, enquanto nossas estrelas desfilavam na Sapucaí. Fico devendo um outro post sobre o nosso carnaval.

Enquanto espetáculo de televisão, a cerimônia do Oscar foi bem... sonolenta... Não saberia o que fazer para tentar melhorar aquilo. Tanta tradição, tanto glamour, e ainda assim, um saco de chatice. Eu sei que colocar a Ellen era melhor do que deixar o Seth MacFarlane (gosto de sua forma de fazer humor, mas não combina com a premiação), mas tudo ainda era muito chato. Até os vestidos, que eram certeza de diversão, não conseguiram me empolgar. Todo mundo querendo acertar, aí rolou uma zona de conforto geral. Os homens ousaram mais com as roupas. Custei a aceitar o "Maconarrei" com aquela sobreposição, mas no fim eu já estava acostumada. O difícil mesmo foi engolir o Leto - não gosto de roupa branca em homens, e a gravata vermelha me fez pensar no desfile do Salgueiro. Mas, ok, vamos ver os que valeram a pena, na minha opinião:


Então, a ousadia de McConaughey que falei. Não sei como ele montou esse terno, mas não ficou tão ruim. Chamo atenção pra Camila Alves, chiquéeeeeeeeeeeeerrrrrrima, mais do que elegante. Tipo Oscar. Amei. E ela é pé quente, ao contrário da sua colega modelo (aquela que acompanhou o DiCaprio, a Bündchen). rs...


 Eu. Quero. Ser. Sua. Amiga. Pra. Sempre.
Já te adicionei no Facebook, Lupita!
Me ligaaaaaaa!



 Se um dia eu ficar grávida (cof, cof!), quero ter o bom gosto da Olivia Wilde. Não quero fazer com a Kerry Washington, que pegou um lençol e um grampo de cabelo. Sério, acho essa mulher linda, mas como ela tá feia nessa roupa, meu deus...



Anne Hathaway cegou todo mundo com esse vestido na hora que foi apresentar esse prêmio. E parece que são anéis de latinha de refrigerante, pfv...



Blá blá blá, Lawrence caiu novamente, blá blá blá, ela usou Dior... e tal.
 


Linda, linda, linda... Cate Blanchett, como sempre, perfeita.
 


Ameeeeeeeeeeeeei Charlize Theron! É um tomara-que-caia que engana, porque tem alça. Hahahahahahaha!


Em relação aos prêmios: rolou uma distribuição pra não deixar nenhuma das produções mais importantes da temporada de fora. Quer dizer, "O Lobo de Wall Street" ficou chupando dedo, mas é porque tem, na produção e no elenco, o Leonardo DiCaprio, o cara mais azarado de Hollywood. (hahahahaha) Sério, tenho muita pena do DiCaprio, coitado. Ele vai ter que dar uma de Brad Pitt, que já fez milhares de filmes com excelentes atuações, mas só pegou o careca dourado e levou pra casa porque estava no time de produtores de "12 anos de Escravidão". E muitos outros atores vão perceber que o negócio é produzir mesmo, que é o que dá um status mais legal (vide George Clooney, Ben Affleck e cia), então...
Mudando um pouco de assunto, eu assisti "Gravidade", "12 Anos de Escravidão" e "Clube de Compras Dallas". Não me interessei pelos outros filmes. Pelo visto, fiz bem. "Trapaça" não tinha uma trama muito chamativa, não vou muito com a cara da Jennifer Lawrence (vi outro dia "O Lado Bom da Vida" e não achei NADA na atuação dela) e sempre vou me lembrar da Amy Adams como "a garota do Encantada" e de "Segundas Intenções 2" (huahauhauhauahuahuahauahuahauhauahuahuahauhauahauha... ai, ai...). Nunca vi nada dela que me tira o fôlego. Então, nada de "Trapaça". E vou esperar pra ver os outros na tv. Enfim, falando dos filmes que eu já vi, o melhor na minha opinião foi o "Clube de Compras Dallas". O melhor dentre os três, mas não o melhor da minha vida. "Gravidade" é belíssimo (sério), justifica o alto valor do ingresso pra ver em 3D, foi a primeira vez na minha vida que vi um filme em 3D que valia a pena, certamente em DVD vai ser algo brochante, mas mesmo assim vou querer comprar. Não pela Sandra Bullock, não. A atuação dela é muito fraquinha. Eu achei que, pra alguém que está pra ficar vagando pelo espaço pelo resto de seus "dias", ela está muito "controlada". Não me emocionou, nadinha. Não chega a estragar o filme, mas acho que outra atriz faria bem melhor. Não sei qual. Mas outra mulher.
Achei muito foda a competição de ator coadjuvante. Leto estava realmente muito bom em "Dallas", mas o Fassbender também não era de se jogar fora em "12 Anos...". Não vi "Capitão Phillips", não posso dizer muito sobre o Barkhad Abdi, mas acredito que, por ser o primeiro trabalho dele, tudo deve ter rolado muito intuitivamente, o que é legal, mas numa competição do tipo Oscar, não rola. Uma pena, porque essa categoria já foi bem insossa noutros tempos. Tomara que ele consiga outros trabalhos, porque parece que a coisa não está boa...

Penso em falar mais especificamente sobre os filmes em outra oportunidade, mas pelo menos consegui dar uma pincelada sobre o Oscar desse ano! Aeeewwww!

Beijocas e pipocas.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

E a melhor trama é ao vivo...

O cinema sempre me proporcionou um rico material para reflexão. É a partir dessa premissa que decidi montar uma pequena caravana para assistir ao filme "12 anos de escravidão". Achei que seria o filme da minha vida, ou algo do tipo. Me enganei completamente.

Lá pro meio do filme, uma galera começou a discutir. Motivo: um fulano estava falando sem parar durante toda a projeção. Um outro cara ficou puto, os dois começaram a berrar entre eles. Levantaram. Rolou ameaça. Todo mundo ficou prestando atenção. O filme parou. Alguém berrou dizendo que ia chamar a polícia. Não sei quem disse que conhecia alguém que era delegado (!!!). Alguém disse que ia matar alguém. O segurança chegou. Respirou fundo. Todos ficaram um pouco mais calmos. A luz apagou novamente. O filme voltou para um trecho onde todos ainda estavam vidrados. Tempos depois, a polícia chega. O filme para novamente. Os envolvidos na confusão são convidados a sair da sala. O filme volta a ser exibido. Surreal.

Às vezes preciso me lembrar que ainda vivo no século XXI. Aí eu penso em Adorno e em sua discussão sobre a Razão Iluminista. Sua conclusão é mais ou menos assim: somos fodões em tecnologia. A ciência nunca avançou tanto. Produzimos feito loucos. Dominamos a natureza, finalmente! Mas ainda assim, aceitamos tranquilamente coisas do tipo: amarrar pessoas sem roupas ao poste, a perpetuação da miséria, o descontrole social... essas bizarrices. Sua crítica, Adorno, nunca esteve tão atual... (exceto pelo Jazz, mas isso é papo pra outra hora.)

Faz um tempo que contei aqui uma situação que aconteceu numa boate do Rio. O que aconteceu no cinema conseguiu superar este episódio. Fico imaginando se alguém estivesse armado assistindo o filme. Volta e meia escuto uma história de alguém que morre por causa de uma discussão boba. Não foi o caso, por sorte. 

Curiosamente, a discussão base do filme é a questão da igualdade racial. Pega justamente essa ideia de que somos iguais, somos seres humanos. Esse tipo de conflito - o preconceito racial (posso usar o social também) - não deve ter espaço em uma sociedade. No contexto da história, já existiam os ideais de "liberdade, igualdade e fraternidade". Esses mesmos ideais que jogaram no lixo durante a exibição do filme. "Foda-se! EU QUERO O MEU BEM ESTAAAAAAAAAARRRRRRR!!", mesmo que isso gere uma contradição idiota: de defender o silêncio na sala de cinema aos berros. Não sei no que isso difere do senhor e da senhora da casa grande, que reconhece que há algo de errado na relação com o escravo, mas é incapaz de fazer alguma coisa de diferente do status quo, até porque, o que interessa sempre é seu bem estar (quem viu o filme sabe de que momento eu estou falando).

Outro ponto interessante do episódio bizarro (que foi apontado pra mim depois - eu estava muito chocada com a selvageria pra perceber... rs...): as pessoas que estavam discutindo eram todas brancas. Eram 4 pessoas (dois casais), e estávamos em um cinema da zona sul do Rio. O segurante era negro. Uma outra pessoa que assistia a confusão, levantou a situação: "se os papéis fossem invertidos, o resultado seria diferente." Concordei, faz sentido. Não faz muito tempo em que um policial negro foi revistado em um supermercado porque suspeitaram dele. Detalhe: a compra já estava paga. Achei a situação engraçada. Na verdade, mais do que engraçada. Mas, voltando ao caso do cinema, acho que aconteceria algo bem parecido com eles se fosse ao contrário. Faz sentido. Volto a pensar em Adorno. A reflexão dele faz sentido. Mas nada continua fazendo sentido na vida prática.

Depois que o filme acabou, não fiquei pensando na história. Na verdade, nem achei que era tudo isso, mas isso é discussão pra outro dia. Fiquei pensando na confusão, na ausência da razão. 

Que desânimo.

domingo, 2 de fevereiro de 2014

Pitaquinhos*

*Comentários rápidos, aperitivos.
 
O cara pagou do próprio bolso a produção e o lançamento de um filme seu pra exibir aos americanos.
O que me deixa triste é que na primeira oportunidade, ao voltar pro Brasil (se voltar), o cara vai inscrever o projeto na lei Rouanet, conseguir todos os patrocinadores possíveis, terá a distribuição da Globo Filmes, e ainda vai chorar quando ficar sabendo que o filme só deu 500 mil espectadores. Nessas horas eu concordo com Antônio Fagundes: "precisamos sair do círculo vicioso do patrocínio." Sou a favor de todo mundo que tem a possibilidade de bancar parte ou todo o projeto cinematográfico, que o faça. Não dá pra ficar sustentando "Até que a sorte nos separe" 30, "De pernas pro ar" 15, "Xuxa e...????" pra sempre. Vamos diversificar, gente. Por favor.
 
2) Grammy Awards: os principais artistas vencedores na premiação semana passada não são americanos!
Se o prêmio foi criado pela indústria musical americana para se auto premiar, é meio chato ter como vencedores de "Música do ano", "Gravação do ano" e "Álbum do ano" uma galera estrangeira na comissão de frente... ok, as gravadoras são multinacionais, etc, etc. Mas, mesmo assim. É feião. #botandopilha
xD
 
3) Beijo gay em "Amor à Vida":
Aeeeew!!!! Que legal!! Finalmente!!!
Achei muito fofo!
Mas minha maior preocupação é: o SEGUNDO beijo gay. Tem que ser tão bom quanto o primeiro. Um pouquinho mais molhado, mas tão fofo quanto o primeiro. ;)    

 
 
 
4) Cursinho online de graça, quem não quer? A USP está ministrando os cursos online e, segundo o post da Biblioteca Florestan Fernandes, eles tem a mesma qualidade dos cursos presenciais de nível superior. Dá uma olhada lá, conhecimento é sempre bom. :) http://www.veduca.com.br/
 
Beijos, queridos, até a próxima! :)
 


domingo, 19 de janeiro de 2014

Red Carpet

(sim, eu fiz um post super político na última vez e agora vou fazer um sobre m-o-d-a!)
 
Eu adoro premiações. De qualquer coisa. Se está passando na TV, quero ver. Gosto desse ritual social de mostrar o resultado do trabalho de alguém ou de uma equipe, que o filme ou a música é admirada não apenas pelo mercado, mas pelos próprios colegas que fazem parte deste negócio. Não ligo muito para a competição em si, isso é, não me interessa muito quem ganhou, se mereceu ou se foi garfado. Nada vai ser consenso geral sempre, e isso vale para prêmios. Mas é uma forma de estimular a produção, de jogar uma pimenta no mercado. E as contradições são muito legais. Isso é, muitas vezes uma super produção de milhões em bilheteria ganha um "fuém" dos próprios colegas, e algumas coisas super simples, de orçamento moderado, ganham um reconhecimento que vale a vida toda. Gosto de observar também o aquecimento do mercado, o que está sendo considerado como "bom", e assim realizar minhas reflexões de cunho sociológico-filosófico.
 
Enfim, lamento muito que aqui no Brasil o monopólio de certa emissora não permite essa troca. Seria muito legal ver a premiação do festival de cinema de Gramado, por exemplo, ou até o de telenovelas que algumas revistas tentam realizar (mas não vão pra frente por muito tempo). Gosto de ver as premiações de música, que estão cada vez mais bem produzidas - infelizmente, só dá pra acompanhar ao vivo a premiação do Multishow, porque a emissora que compra os direitos do Prêmio da Música Brasileira exibe o show gravado, devidamente editado, num domingo às 23h... pra ninguém ver. Sinto falta da premiação da MTV Brasil, que não tem mais "Brasil" no nome. Mas era uma coisa mais independente e sempre tinha boas surpresas.
 
Ok, mas todo show de premiação precisa do seu tapete vermelho. E quando chega janeiro, fico louca com a temporada de premiações gringa, porque junta fofoca+cinema+música+vestidoslindos, o que eu adoro! Não tenho dinheiro pra comprar um pé do sapato mostrado; não visito um salão de beleza há uns 6 meses; minhas roupas são super velhas... mas adoro olhar. A maioria dos vestidos não devem ser classificados como "obra de arte", mas tem muita coisa que olho ali e sinto que combina perfeitamente com quem está vestindo e vira algo de uma beleza sem igual.
 
E este post é pra falar de vestidos.
 
Como a temporada de prêmios acabou de começar, vou ficar com a dobradinha Golden Globe + Sag Awards (vou deixar o People's Choice de lado porque não tem tanto glamour... rs...). Semana que vem tem Grammy Awards e aí o buraco é mais fundo - vou querer discutir sobre música e não ligo tanto pro red carpet. Vou postar aqui os melhores na minha opinião, ou o que mais chamou minha atenção - não necessariamente pela beleza.
 
Golden Globe:
 
ESTE é o caso de roupa que só faz sentido nessa pessoa. Parece que roupa e modelo (atriz) estão se completando. Simples, lindo, efeito poderoso. Lupita Nyong'o mandou MUITO bem. Linda, linda, linda! Rainha poderosaaaaa!
 

Robe (Heidi Klum), Babado Novo (Paula Patton) e Toalha de rosto (Kaley Cuoco-Sweeting [mas que p**** de nome é esse que ela adotou? Eu sei que é do marido dela, mas pqp...]).
 

Zooey Deschanel. Aparentando ter 30 anos a mais, mesmo só tendo 34. E vestindo filó de festa de 15 anos como saia.
 

Cate - Muito Foda - Blanchett. O meu 2º vestido preferido desta edição do Golden Globe. Tudo bem que atacar de preto é covardia, não tem como errar, mas o vestido tem uma transparência de muito bom gosto e tem um decote lindo, que é um luxo só.
 
 
SAG Awards:
 
Lupita Nyong'o mandando muito bem novamente! Reparei que ela adora uma ousadinha - no anterior, o vestido tinha capa (o que não é pra qualquer uma). Nesse, o detalhe floral é tudo. Não precisa de colar, nada, o adereço está na própria roupa. Também parece que ela não gosta muito de misturar cores e texturas (eu também detesto!), e sabe trabalhar com o poder de seu tom de pele, além de ter um corpo impecável. EEEEE um detalhe MEGA importante: enquanto toooodas as negras celebs dos E.U.A. mandam ver na química, ela deixa seu cabelo AO NATURAL provando que dá SIM pra compor um visual belíssimo sem perder a identidade. Sim, é legal variar, mas você nunca vai ver a Queen B ou a Oprah assumindo dessa forma. Tá de parabéns, gata. #querosersuaamiga   
 

Só pra calar a boca dos críticos, Cate Blanchett resolveu vestir babador levemente inspirado no carnaval da Mangueira. Provou que é "gente como a gente".
 

Amanda Peet. Vestindo roupa de vovó.
Não sei o que essa mulher tem na cabeça.
 

Sandra Bullock. Não adianta malhar se não dá pra mostrar, certo? Aí ela mostrou.
Então, achei a fenda agressiva demais. A cor é bacana, mas quase não dá prestar atenção no laço (meu namorado disse que o laço tá "sobrando". Concordo). E como não tem muito detalhe no vestido, por muito pouco ela não conseguiu o efeito Jennifer Lawrence no Golden Globe.
 
 

Anna Chlumsky.
Ela não tá vestindo nada de extraordinário não. Só coloquei aqui porque ela é a garotinha do "Meu Primeiro Amor".
 
 
E por hoje é só, pessoal! :)

 
 
     

sábado, 24 de setembro de 2011

"Filhos do paraíso"

Nunca fui muito com a cara de filmes "pra chorar": aqueles onde acontece tanta desgraça, mas tanta desgraça, que você só tem duas alternativas, a saber: ou chora junto ou começa a rir. (No meu caso, eu começo a rir). "Filhos do paraíso" ("Bacheha-Ye aseman", 1997) é um filme assim. Mas é um filme que vale a pena.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

"Calma. Você tem que ficar calma e confiar em mim."

Ok, Zero. Estou confiando. E posso dizer que "O Homem do Futuro" é uma bem sucedida tentativa de fazer ficção científica no Brasil. O filme não decepciona. Ok, não temos [de verdade] tecnologia de ponta; aqui as pesquisas científicas mais audaciosas não ganham um centavo da CAPES, CNPQ, e cia, mas temos imaginação. Esse é o nosso diferencial. E se não dá pra fazer um filme muito próximo da realidade, com teorias sérias e tudo o mais, então vamos pegar pesado na fantasia (em todos os sentidos), usar música chiclete como carro chefe da trilha sonora, e ter como líder nessa jornada o ator mais rentável do cinema brasileiro nos últimos anos (Capitão Nascimento que o diga...).

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Filmes (de fácil assimilação) que gosto muito!

Eu tenho o péssimo hábito de rever filmes sempre que posso, pra passar o tempo. De preferência, filmes de fácil assimilação (afinal de contas, são para "passar o tempo", ora!). Eis alguns exemplos que eu gosto muito de assistir, nos meus raros momentos de "nada".

segunda-feira, 25 de julho de 2011

"Assalto ao Banco Central"

Sim, quando o assalto ao B.C. aconteceu, em 2005, eu achei super incrível e torci pra que virasse um filme. Só que tem um problema: quando pensamos em um filme assim, vem o padrão Hollywood na cabeça, não é? Então. O filme dirigido por Marcos Paulo (galã-ator-diretordaGlobo) peca, na minha humilde opinião, exatamente na falta de ação, tão usada em blockbusters gringos. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Pitaco sem graça

Vi "Cilada.com" e "Muita calma nessa hora" na mesma semana. Apesar do segundo filme ser o mais antigo, lembro que na época do lançamento fui com uma amiga minha tentar assistir e não conseguimos ingresso em mais de 3 cinemas. Rolou a oportunidade assistir em BluRay (falando nisso, esse é um ótimo tema pra um próximo post), então, aluguei. O motivo de juntar os dois filmes no mesmo post? É simples: os dois filmes não são tão diferentes.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Lanternas Vermelhas: vale a pena ver de novo!

China, 1920. Songlian, que vive com a madrastra, se encontra em um beco sem saída: tá sem dinheiro e precisa viver. Então aceita a proposta de se casar com um homem que nunca viu. É claro que sua função é a de ser concumbina - o "bonitão" tem mais 3 esposas. Antes disso, fora uma universitária.

Esse é o início de uma bela obra de arte chamada "Lanternas Vermelhas" (1991 - direção de Zhang Yimou) que projetou Gong Li para o mundo (Lembram de "Memórias de uma gueixa"? ela estava lá. Mas, por favor, esqueçam "Miami Vice"...). É um filme velho, eu sei, mas toda coisa bela merece ser vista novamente, em algum momento da vida. Acho que foi a 4ª vez que vi e mesmo assim fiquei hipnotizada. O mais legal ainda é ver com alguém que nunca viu e perceber que sempre haverá pano na manga pra debater. O filme é tão importante, mas tão importante, que virou até um balé.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Amor e outras drogas (ou viva a Pfizer?)

Já aviso logo: vi ontem, tá fresquinho na minha cabeça, então pode ter spoilers.

O calor aqui no Rio tá forte. Então, nada melhor para um começo de noite do que arrastar o namorado pra ver o grande lançamento hollywoodiano: "Amor e outras drogas". Isso significa: alugar um ar condicionado. :)
Ok, cinema lotado, luzes apagadas e... quem se impressionou com as matérias que só falavam das cenas de nudez de Anne Hathaway e Jake Gyllenhaal e foi ao cinema só por isso, ficou feliz. Mas nem são tantas cenas assim. O filme que é um romance-dramático-cômico (??) serve pra passar o tempo e é cheio das gracinhas sexuais mas também quer ser levado a sério.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Eu vi por falta de coisa melhor: "Além da Vida"

Feliz ano novo, meus caros! Depois do (caótico) reveillón, das promessas mentais que vão de ralo logo nos primeiros dias de janeiro, e etc, etc, etc, eis que só fui ao cinema noutro dia. Primeiro quero deixar claro que o filme escolhido não foi lá beeeeem escolhido. Eu tava lá no shopping, rolou a proposta do cinema, e depois de ver DOIS complexos de cinema e chegar na conclusão de que havia praticamente a mesma lista de filme em ambos (o que me deixou irritadíssima), escolhi o que mais parecia agradavel. Enfim, não era o filme super esperado, mas eu vi por falta de coisa melhor. E pra curtir o ar-condicionado também. xD

Então, já sabe que tem eventuais spoilers. Leia por sua conta e risco.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Só sou feliz com meu marido - "De pernas pro ar"

O povo que bolou essa divulgação não estava muito inspirado...


Era a noite do dia 25 de dezembro (não a véspera do Natal, mas o Natal mesmo, ok?) e eu e mais alguns (rs...) paramos no cinema matar o tempo. Compramos ingresso para o último filme disponível e entramos. Por sorte, era  a pré-estréia de uma "comédia romântica" de título duvidoso nacional.

* com alguns spoilers, mas pode deixar que não contei nenhuma piada, ok?

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

A Onda (Die Welle)

De vez em quando é ótimo usar algum recurso audiovisual em sala de aula só pra quebrar o climão que fica com muitas aulas no "cuspe-e-giz", e também pra ajudar introduzir muitos assuntos. Um belo dia achei que seria bacana passar o filme "A Onda".

Acredito que, depois de assistir, quem é professor passa a gostar muito do filme. Quem é aluno também. Lançado em 2008, o longa alemão “A Onda” é obrigatório para todos os professores de Filosofia, História e Sociologia.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Conta um livro em um filme, por favor?

Um dos meus projetos para essas férias (ou para qualquer feriado longo) era assistir a versão estendida dos filmes da trilogia "O Senhor dos Anéis". Ao todo, são quase 2 horas a mais diluída nos três filmes, dando dois dvds pra cada título - isso fora os extras, com mais 2 discos cada. Como todos sabem, era muito difícil pegar um livro enorme e cheio de detalhes, como o "Senhor dos Anéis", e transformar em um filme. É claro que existem buracos. Penso então em outros livros, mais simples, que não conseguiram ficar legais na telona graças à incompetência do roteirista, ou porque não era a hora pra gravar mesmo. Às vezes, não dá nem vontade de ler o livro depois da lambança feita...

terça-feira, 29 de junho de 2010

E mais cinema: nada de Pitaco americano!

Normalmente só me cobro em relação ao Pitacos uma vez por semana. Só que agorinha eu vi algo que chamou muito a minha atenção e que merece um pitaco especial: acabei de descobrir que vai estrear no Brasil agora em agosto o remake norte-americano pro clássico da comédia francesa Le Dîner des Cons, ou na tradução pro Brasil, "O Jantar dos Malas".

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Pitaco? Sugestão imperdível!





Creio que já falei disso aqui em algum post, mas não custa nada reforçar: a cada dia que passa me afasto cada vez mais do cinema norte-americano, modelo “blockbuster”. E o filme do dia foi mais uma prova disso.